Importância da RM nas lesões musculares traumáticas

musculoAntes do advento da RM, os métodos de imagem, como a  radiografia e a artrografia  se limitavam ao estudo do compartimento articular e das estruturas a ele relacionadas. Com o surgimento da ultrassonografia, um grande avanço foi possível pela avaliação tanto dos tecidos moles, quanto das estruturas periarticulares, mas somente após a utilização da RM foi permitido um estudo completo, não apenas das lesões musculares, como também das injúrias tendíneas, ligamentares, cartilaginosas, bursais, fasciais e ósseas. Com a RM as lesões puderam ser avaliadas de forma multiplanar, facilitando o estudo anatômico, a localização, além de permitir a graduação e evolução sequelar das lesões.

As lesões musculares traumáticas podem ser divididas em diretas (por impacto), indiretas (por sobrecarga) e de outras etiologias, como a síndrome compartimental e hérnia fascial muscular. O trauma muscular direto pode ser contuso, resultando em sangramentos intersticiais com formação de hematoma ou miosite ossificante como sequela tardia, ou lesões penetrantes com lacerações musculares. Os achados na RM são aumento de volume muscular, presença de líquido entre as fibras, aumento do sinal nas imagens em T2 e presença de hematoma. As lesões musculares indiretas geralmente ocorrem ao longo da junção miotendínea e relacionadas ao esporte, incluindo o dolorimento muscular de início tardio (DMIT), a contusão/edema muscular e as distensões (ruptura/estiramento muscular). A contusão se caracterizada por lesão de limites mal definidos, com isossinal nas imagens ponderadas em T1 e hipersinal no T2 e T2 Spir.

 Nas principais lesões (estiramentos), observamos alto sinal no T2 nas áreas de edema e hemorragia, sendo divididos em grau 1 quando há morfologia muscular preservada e menos de 5% de ruptura muscular; grau 2 onde há hemorragia com ruptura de até 50% das fibras (ruptura parcial com alguma perda funcional) e; grau 3 com ruptura completa e perda total funcional. Como complicação podemos observar a miosite ossificante, fibrose e pseudocisto intramuscular pós-traumatico. Os estiramentos grau I normalmente evoluem sem sequela, enquanto as lesões grau II e III podem evoluir para fibrose, atrofia, retração muscular, lipossubstituição e mais raramente miosite ossificante.

A RM é portanto um excelente método para diagnóstico das injúrias musculares, possibilitando a caracterização da extensão e graduação, além de estabelecer o tratamento e acompanhamento na reabilitação das lesões.

Por: Dr. André Silveira