Lombalgia e ressonância magnética

lomba-696x696A dor lombar afeta pelo menos dois terços da população adulta em algum período de suas vidas e está entre as dez principais causas de consulta médica, sendo ainda uma das mais comuns causas de afastamento do trabalho.

O diagnóstico etiológico das lombalgias ainda é tema de inúmeros estudos na literatura e se baseia no exame clínico ortopédico detalhado, associado a exames de imagens como Radiografia, Tomografia e Ressonância Magnética.

A grande maioria dos pacientes com dor lombar melhora com tratamento sintomático, não sendo necessários prosseguimentos investigativos. Apenas 5% das lombalgias podem ser creditadas a casos neurológicos, sendo a hérnia discal responsável por 1% destes casos.

As causas principais relacionadas a lombalgia são as afecções músculo-ligamentares, alterações degenerativas discais e interapofisárias, estenose do canal raquiano ou do recesso lateral, modificações anatômicas (escoliose e espondilolistese), processos expansivos primários e secundários e processos inflamatórios/infecciosos.

A anamnese e o exame físico devem diferenciar os pacientes com quadros de lombalgia aguda não complicada daqueles com sinais e sintomas de alerta de afecções inflamatórias-infecciosas, fraturas, hérnias e processos expansivos.

Primeiramente, sem qualquer sinal de alerta, não há indicação de investigação diagnóstica nas primeiras 04 semanas, caso contrário, a investigação inicia-se com um estudo radiográfico. Havendo sinais de fratura, alguns fatores devem ser considerados: osteoporose, processo expansivo primário, localização da fratura (caso seja segmento torárico alto, sempre pensar em metástase), assim como a quantidade de corpos comprometidos (no envolvimento de 01 corpo vertebral a chance de fratura patológica é de 13% a 15%; se 02, a possibilidade alcança 30%). Nestes casos a Cintilografia Óssea é bastante útil no rastreamento do corpo inteiro, para avaliar lesões secundárias. As fraturas por osteoporose geralmente ocorrem na transição dorso-lombar ou tóracico médio e comprometem a porção anterior do corpo vertebral. As vértebras normalmente têm o envolvimento simétrico, determinando um aspecto biconvexo ou achatado por completo. O estudo radiográfico apresenta baixa sensibilidade na detecção de lesões secundárias (metas); já a Cintilografia tem importante papel no rastreamento das mesmas.

A Ressonância Magnética, além de apresentar alta resolução na diferenciação dos tecidos moles, é bastante sensível na detecção de infiltração da medular óssea por processo expansivo, extensão para o canal vertebral, comprometimento epidural ou mesmo intramedular. É importante lembrar que a Ressonância Magnética não utiliza radiação ionizante, permite avaliação em múltiplos planos e o uso de contraste endovenoso demonstra infinitamente menores efeitos colaterais que o da Tomografia.

Nos processos inflamatórios/infecciosos após a avaliação radiográfica, a Ressonância Magnética é o exame de escolha para definir focos precoces de comprometimento do planalto vertebral e disco intervertebral, extensão ao canal raquiano e estruturas paravertebrais, assim como lesões solitárias.

Na investigação pós-operatória de abordagem das hérnias discais, a menos que se tenha a suspeita de hematoma ou abscesso, o exame de Tomografia Computaorizada ou Ressonância Magnética deve ser realizado apenas 06 meses após o ato cirúrgico, para garantir a diferenciação entre hérnia residual/recidivada e fibrose. Com a RM também é possível definir sinais de aracnoidite ou radiculite, que podem estar relacionadas com persistência da dor.

As alterações degenerativas discais se apresentam como um espectro de achados, desde a hipohidratação, fissuras radiais no ânulo fibroso, abaulamentos, protrusões ou hérnias. O mais importante é definir a localização do material discal envolvido e se há compressão do saco dural e das raízes nervosas adjacentes. A estenose do canal vertebral normalmente é determinada pela artrose das interapofisárias, reações osteofitárias dos corpos vertebrais, hipertrofia dos ligamentos amarelos, degeneração discal e pedículos vertebrais com morfologia curta. Nesta avaliação específica tanto a TC quanto a RM são úteis.

Portanto, a Ressonância Magnética tem alto valor diagnóstico, quando bem indicada, com excelentes índices de sensibilidade e especificidade na avaliação da lombalgia.

Por: Dr. André Silveira