Ressonância Magnética da Pelve Feminina

pelve_femininaA avaliação das doenças ginecológicas cada vez mais tem contado com a ressonância magnética (RM) da pelve como instrumento diagnóstico. Diante da necessidade de investigação por métodos diagnósticos complementares, a ultrassonografia, particularmente por via endovaginal, persiste como exame inicial de escolha, porém a RM tem se destacado pelo excelente contraste tecidual, o que permite a diferenciação entre sólido e cístico, identificação de componente hemorrágico e gorduroso, além de acurado estadiamento dos tumores ginecológicos, especialmente em relação aos outros métodos diagnósticos como radiologia convencional e tomografia.

A aquisição de imagens multiplanares (axiais, sagitais e coronais) fornece maior detalhamento da anatomia pélvica, o que possibilita a investigação de anomalias congênitas, principalmente perante casos complexos, como agenesias/hipoplasias Müllerianas, ou inconclusivos aos métodos diagnósticos iniciais habitualmente utilizados para este fim (ultrassonografia e histerossalpingografia), como nos casos de diferenciação entre útero septado e bicorno.

A adenomiose, caracterizada pela presença de glândulas endometriais heterotópicas  no miométrio associada a espessamento da zona juncional (hiperplasia miometrial adjacente), tem sintomas pouco específicos e conduta terapêutica distinta de outras causas que cursam com a mesma clínica, e encontra na RM método diagnóstico de maior sensibilidade e especificidade, comparativamente a ultrassonografia.

A utilização de gel endovaginal, associada ao uso do meio de contraste endovenoso paramagnético, permite melhor avaliação da extensão locorregional das neoplasias do endométrio e do colo do útero e embora a maioria das pacientes seja estadiada cirurgicamente, o diagnóstico pré-operatório de doença avançada pode alterar a abordagem terapêutica clínica e cirúrgica. O contraste paramagnético auxilia também na detecção de comprometimento secundário à distância.

A RM também vem sendo utilizada na investigação de endometriose e  das lesões ovarianas, justamente pela capacidade de diferenciação intrínseca ao método, entre os diversos componentes teciduais da pelve e destas lesões.

Diante dos exemplos de aplicação supracitados, a ressonância magnética da pelve, embora permaneça classificada como exame de maior complexidade, e rotineiramente seja solicitada após o estudo inicial por ultrassonografia, justifica sua participação crescente no estudo das doenças ginecológicas, auxiliando no arsenal diagnóstico complementar.

Por: Dra. Fabíola Morotó